Alguns designs parecem transcender o tempo, movendo-se sem esforço através das décadas e das fronteiras. A cadeira IK da Olaio é uma dessas peças raras.
Concebida pelo arquiteto italiano Aldo Jacober na década de 1960, começou como um exercício de pura funcionalidade: uma cadeira dobrável que era minimalista, democrática e enraizada nos ideais do design modernista.
No entanto, quando a marca portuguesa Olaio a descobriu, algo mudou. deram ouvidos à sua forma, acrescentaram profundidade à sua voz e deram-lhe uma nova linguagem. O que tinha sido concebido como um objeto utilitário rapidamente se tornou uma afirmação cultural — com uma alma distintamente portuguesa.
A história começa em Itália, no meio de uma década marcada por ideias ousadas na arte, arquitetura e design industrial. A cadeira dobrável de Jacober refletia o otimismo da época: simples, funcional e destinada ao uso diário. Mas a sua história deu uma reviravolta decisiva em 1969, quando a Olaio, já uma das fabricantes de mobiliário mais conceituadas de Portugal, começou a produzir o modelo para a empresa alemã Interlübke.


Os fabricantes portugueses não se limitaram a replicar a visão de Jacober; eles reinterpretaram-na. Com um assento mais profundo para maior conforto, juntas ocultas que elevavam o seu requinte e uma atenção aos detalhes que revelava o trabalho manual, a cadeira ganhou uma nova identidade. A Olaio infundiu-lhe calor, suavidade e o tipo de intemporalidade que é a marca registada do grande design.
Mais de cinquenta anos depois, a cadeira IK continua em produção, ainda fabricada manualmente em Portugal. A sua silhueta continua a seguir as linhas limpas e funcionais de Jacober, mas a sua alma carrega a marca da Olaio, serena, duradoura e elegante. Esta combinação de herança internacional e reinterpretação portuguesa é o que torna a cadeira tão atraente hoje em dia. É ao mesmo tempo um diálogo entre culturas e um exemplo de como o design pode evoluir sem perder a sua essência.
Parte desta evolução reside na sua paleta de cores expressivas. A Olaio expandiu a identidade da cadeira para além da sua função pura, oferecendo-a em cores que lhe conferem carácter e ambiente: coral, azul petróleo, mostarda, tijolo, rosa suave, branco cru, verde floresta e preto clássico. Cada tom acrescenta outra camada de possibilidades, permitindo que a cadeira se adapte a uma vasta gama de interiores. Uma sala de jantar em Lisboa, um pátio ensolarado em Barcelona, um café em Berlim ou um estúdio de design em Copenhaga, a cadeira IK sente-se em casa em todos eles. A sua natureza dobrável torna-a adaptável, a sua paleta de cores torna-a expressiva e a sua construção garante a sua durabilidade.

O reconhecimento do seu brilhantismo veio recentemente a nível global. Em 2024, a cadeira IK foi premiada como Melhor Cadeira Dobrável nos Monocle Design Awards. O júri elogiou-a como «uma cadeira elegante e fácil de guardar da marca portuguesa Olaio, disponível em freixo lacado e madeira de freijó com assento em vime. Prepare-se para vê-la tanto no interior de casas sofisticadas como em instituições culturais». Para uma peça concebida há seis décadas, o prémio foi uma prova da sua relevância e perenidade, bem como da capacidade da Olaio de refinar o design sem lhe retirar a essência.
Na sua essência, a cadeira IK incorpora uma filosofia que a Olaio tem vindo a transmitir há várias gerações: mobiliário construído não para o momento, mas para toda a vida. É uma filosofia que ressoa profundamente nos dias de hoje, em que grande parte do mundo está repleta de objetos descartáveis. Com o seu assento mais profundo, juntas ocultas e acabamentos expressivos, a cadeira tornou-se mais do que uma solução para se sentar, uma declaração de intenções. Uma lembrança de que a simplicidade, quando cuidadosamente trabalhada, não envelhece nem desvanece.