Torres Novas
A renovação da herança portuguesa da tecelagem de toalhas

Fundada em 1845, a Torres Novas personifica a resiliente tradição do artesanato português. Após encerrar em 2011, uma nova geração recuperou o seu legado, tendo transformado histórias de lugares e épocas em excepcionais têxteis para o lar dos nossos dias.

Ao longo das margens do rio Almonda, na histórica cidade de Torres Novas, uma história está a ser tecida. Uma história que remonta a várias gerações. É uma história de ambição industrial, de orgulho nacional, de declínio e de um renascimento tranquilo e determinado. Esta é a história de Torres Novas, um nome que é sinónimo do estilo de vida português há mais de 175 anos.

A história começa a 2 de outubro de 1845. Numa era de fragilidade política e dependência económica, um grupo de comerciantes de Lisboa fundou a Companhia Nacional de Fiação e Tecidos de Torres Novas. O seu objetivo não era meramente comercial; era um ato de patriotismo, um desejo de construir a autossuficiência nacional e tornar-se "independente das importações". A empresa cresceu e tornou-se um gigante industrial e, no século XX, encontrou a sua verdadeira vocação. Com a introdução do tecido felpudo em 1972, a Torres Novas tornou-se um nome familiar e muito apreciado; as suas toalhas, como as icónicas coleções Almonda e Elegance, eram uma presença constante nas casas de todo o país, transmitidas de geração em geração como símbolos de qualidade duradoura. Mas, à medida que o mundo mudou, as forças da globalização e da crise económica levaram ao encerramento da fábrica em 2011, silenciando os teares após 166 anos.

A história poderia ter terminado aí. Mas um legado tão profundamente entrelaçado na identidade de uma nação não é facilmente apagado. Em 2020, começou um novo capítulo, impulsionado por uma nova geração com uma profunda ligação pessoal ao passado da marca. Nuno Vasconcellos e Sá, cujo tio-avô foi um diretor histórico da empresa, sentiu o apelo deste legado adormecido. Foi um renascimento que não nasceu de uma estratégia corporativa, mas da história da família e da crença na força duradoura do nome da marca.

Hoje, essa filosofia é tangível em cada fio. A marca mergulhou nos seus arquivos para reviver designs clássicos, como a toalha Piazza com bordas jacquard, criando uma ligação direta com a sua história célebre. Ao mesmo tempo, procura novas inspirações na paisagem. As coleções são um mapa de Portugal: roupa de cama de algodão lavado chamada Tavira e toalhas de praia que levam os nomes de paraísos costeiros como Meco e Alvor. A toalha de praia Gibalta, uma reinterpretação de um clássico da década de 1940, é inspirada num farol português, com as suas riscas a ecoar a presença firme da estrutura na costa. Segurar uma toalha Torres Novas é sentir mais do que apenas a suavidade do algodão de alta qualidade; é sentir o peso de uma história, o caráter de um lugar e o toque de uma arte que perdurou.

A viagem da Torres Novas é um testemunho de resiliência. É uma lembrança de que um verdadeiro legado não é algo que se pode perder, apenas pausar. Ao honrar o seu passado enquanto tece um novo futuro, a marca reafirma o seu lugar como parte essencial do património de design de Portugal. Explorar as suas coleções é compreender que algumas histórias não são apenas contadas, mas destinam-se a ser sentidas, vividas e transmitidas.